Capa do livro: A morte que eu vivi

A morte que eu vivi

Autores: Benedito Celso

Não pretendo dizer quem fui nem que nome eu tive. De nada adiantará qualquer tentativa de apresentação já que sou imaterial, não tenho mais o fôlego da vida, não existo mais. Morri há um mês, três dias e seis horas e desde então venho inexistindo, no vácuo que há entre aqueles com quem convivi de perto por pouco mais de quarenta e cinco anos. Para ser bem exato, foram dezesseis mil quatrocentos e setenta dias e dezoito horas, em um corpo com vida e numa coexistência terrena em que, na primeira e maior parte, os dias mostravam-se pacíficos e depois foram se complicando por um longo período para, no final, verem-se transformados em dias turbulentos, raivosos e fatais. Contudo, para mim o tempo não mais se conta, porque não sou um ser vivo, sou apenas um sopro energizado e ninguém é capaz de me ver ou de me sentir, embora eu consiga ver a todos com quem convivi quando eu era matéria e tinha um corpo. Posso assistir à continuidade da existência de cada um como se eu ainda estivesse entre eles e, na verdade, pelo menos para mim, eu continuo a estar no meio deles, apesar de não coexistir e eles não serem capazes de me ver ou de perceber minha presença. Confesso que, ao longo da vida que vivi, eu cheguei a ter vontade de ser invisível pelo menos por um dia, para estar entre as pessoas sem que elas se apercebessem. Eu teria podido descobrir segredos inconfessáveis, invadir intimidades segredadas.

Impresso
de R$ 46,60 por
R$ 35,80
Digital
de R$ 46,60 por
R$ 32,62

Confira nosso catálogo na Amazon!

Amazon Kindle
Disponibilidade: 2 Dia(s)
+ Prazo de Frete
Consultar frete e prazo de entrega:

Editora: EDITORA CRV
ISBN:978-65-251-7242-2
ISBN DIGITAL:978-65-251-7240-8
DOI: 10.24824/978652517242.2
Ano de edição: 2024
Distribuidora: EDITORA CRV
Número de páginas: 136
Formato do Livro: 14x21 cm
Número da edição:2

  • PRIMEIRO CAPÍTULO - 11
  • SEGUNDO CAPÍTULO - 47
  • TERCEIRO CAPÍTULO - 79
  • QUARTO CAPÍTULO - 111
  • AUTOR DAS OBRAS - 135
BENEDITO CELSO

Paulista nascido em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, em 1943. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e exerce a advocacia há 30 anos. Antes, integrou o serviço público do Estado. Humanista e amante da literatura desde cedo, escreveu crônicas e poemas. Publicou uma tese jurídica em 1986 (“A Polícia Militar na Constituição”), os romances “Inhaúma” em 2015; “Tuta”, em 2017; “Adamastor” em 2019 e “A morte que eu vivi” em 2020. Publicou ainda os livros de poesia “Poesia dos tampos idos” (2022) e “Reflexões Poéticas” em 2024.